A "vala comum" das entrevistas PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Quando até o Presidente da República se deixa enredar numa “vala comum” de uma qualquer entrevista de Televisão Pública, algo vai mal. É que se trata da última roda de um carro que está a resvalar para um abismo. Um carro que já está sem governo. E que parece provar que, mesmo tendo por lá umas quantas caras... Portugal está sem Governo há uns bons pares de meses. Faz que anda sem andar. Prova o que ontem desmentiu. Abocanha o que antes jurava não comer. Enreda-se num bailado de máscaras que, passado o Carnaval, não vai a lado algum.

 

E a verdade é que o Presidente da República foi a uma entrevista da Judite Sousa, sujeitou-se a perguntas pífias, ouviu o que não gostaria de ouvir. Teve, necessariamente, de fazer “orelhas moucas” a perguntas... toscas. O que não deixa de preocupar. É como que um estado sem rei nem roque... como diz o nosso povo. Um país do faz de conta... em que ninguém prova nada do que diz e em que o Governo – este e, decerto, os outros anteriores – em vez de provarem que não são verdadeiras as alegações, preferem dizer que os “mensageiros” não poderiam trazer a “mensagem”. Que vale a pena, por isso, matá-los. E vão-se criando mártires...

 

De resto, Cavaco Silva nem tem sido muito feliz com os companheiros de responsabilidades. Bem ao contrário, os seus “compagnons de la route...” são fracos. Na sua mais recente diatribe, o próprio Procurador-Geral da República entra em “dança” que parece mesmo o que é, isto é, “frete” ao Governo e ao seu responsável. E vai dizendo, hoje, o que nega amanhã. Os tribunais – que deveriam estar sob a sua alçada – atiram cá para fora com uma providência cautelar, que ninguém cumpre nem respeita.  E criam-se coisas que são em boa verdade... os elefantes da selva. Andam por ali... mas sabem que não podem ir mais longe. Na Assembleia há uma comissão de ética a julgar (a julgar, não, a debater...) uma coisa que parece que é. Com várias questões importantes para debater... os deputados perdem o seu tempo naquilo que baralha ainda mais o povo que nós somos.

 

E nesse aspecto de defender... o indefensável, o tal PGR tem sido exímio em deixar o rabo de fora. “Abafa” o caso do diploma de Sócrates. Desmente notícias da novela do Freeport... que depois se confirmaram. Arquiva certidões do famigerado caso da “Face Oculta”. E desvaloriza e manda desvalorizar escutas que são relevantes. Até porque à sua indicação de não encontrar indícios de crime... respondem muitos outros a dizer que, de facto, há indícios e bem evidentes de crime.

Chega a parecer que todos estão a ter um único objectivo, ou seja, ilibar o ainda primeiro-ministro. Como se isso fosse possível. É que os desmandos de José Sócrates – se é que os há – exigem mais do que os silêncios de Cavaco Silva uma tomada de posição firme. Talvez decalcada na que o seu antecessor tomou quando havia umas certas trapalhadas de Santana Lopes. Trapalhadas que eram incomparavelmente menores das que agora se podem assacar a este primeiro-ministro que, há muito, deixou de ter perfil... para continuar a dirigir os destinos deste País que anda, há tempos, à deriva. Sobretudo por haverem cada vez mais “casos” que ninguém resolve nem fecha. E que, nesta sua entrevista quase inútil... Cavaco deixou no tinteiro. Ou melhor... falou, falou, mas não disse nada.